Hoje estou triste,
Triste porque um amigo partiu
Estou triste porque pressinto no presente a saudade de uma ausência
infinita.
Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos
Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Charles Chaplin
terça-feira, 24 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
Como é bom ouvir falar quem sabe…

Como é bom ouvir falar quem sabe…
De quando em vez, vejo o programa de Paula Moura Pinheiro, câmara clara, na RTP2, que acho extraordinário, quer pela forma como é apresentado quer pelo nível cultural dos convidados.
Neste último programa os convidados foram Adolfo Gutkin e Pedro Feytor Pinto. Feytor Pinto esteve exilado em Espanha, após o 25 de Abril e depois foi viver para Buenos Aires, e Adolfo Gutkin, que nasceu em Buenos Aires, seduzido por Cuba, acaba exilado em Portugal depois do 25 de Abril. Este interessante percurso de vida, de dois políticos inversos - como
explica Paula Pinheiro – tem a uni-los o amor a Buenos Aires, as artes e a experiência do exílio. Ouvi-los falar daquela fantástica cidade da Argentina, da sua magia, cosmopolitismo europeu, de Jorge Luís Borges, Horácio Copolla, fotográfo, ou do tango de Astor Piazzola e Carlos Gardel, é um fascínio. Quem diria que um país sul-americano tem livrarias abertas 24 horas por dia!
Neste último programa os convidados foram Adolfo Gutkin e Pedro Feytor Pinto. Feytor Pinto esteve exilado em Espanha, após o 25 de Abril e depois foi viver para Buenos Aires, e Adolfo Gutkin, que nasceu em Buenos Aires, seduzido por Cuba, acaba exilado em Portugal depois do 25 de Abril. Este interessante percurso de vida, de dois políticos inversos - como
explica Paula Pinheiro – tem a uni-los o amor a Buenos Aires, as artes e a experiência do exílio. Ouvi-los falar daquela fantástica cidade da Argentina, da sua magia, cosmopolitismo europeu, de Jorge Luís Borges, Horácio Copolla, fotográfo, ou do tango de Astor Piazzola e Carlos Gardel, é um fascínio. Quem diria que um país sul-americano tem livrarias abertas 24 horas por dia! Encantado com as suas intervenções e informado sobre a exposição gratuita no Centro Cultural de Belém, BORGES, COPPOLA, BUENOS AIRES – fui até lá… Em primeiro lugar, devo dizer que todo o material expostos – as fotografias de Coppola da década de trinta e os vídeos dos filmes alusivos a Borges, Copola e à cidade, havia uma boa sequência. Buenos Aires pareceu-me de facto u
ma capital europeia, moderna e bastante avançada para as décadas de 30 e 40 do século passado. Desde a arquitectura, dos edifícios ao traçado das ruas e avenidas, já movimentadas fartamente pelo automóvel, aos cafés e esplanadas, bem frequentados por homens de chapéu e mulheres trajadas ao fino gosto da moda. Na cultura, o gosto pela leitura dos jornais, pelos teatros, ópera e cinema; pelas bibliotecas e livrarias, pela música e pelo tango, são o testemunho dado por Horácio Coppola e Jorge Luís Borges. A cidade de Buenos Aires podia muito bem ser qualquer cidade europeia!Ouvir as entrevistas de Jorge Luís Borges, mesmo que em diferido por vídeo, é o máximo!
Transmite-nos não só um profundo conhecimento literário como escritor, ensaísta e poeta, mas também saber linguísticos e formação universalista. Os europeus, e nós também, temos motivo para nos orgulharmos dele. Afinal, ainda que longinquamente, o escritor ainda descende dos portugueses … Fiquei pregado ao ecrã ao ouvi-lo e disse de mim para mim: Isto sim, é literatura, é cultura é sabedoria! Senti-me tão pequeno que a única justificação que encontrei foi esta: Doravante, Borges passará a ser uma das minhas prioridades!domingo, 8 de março de 2009
O Gosto dos outros.
O Gosto dos outros.O Gosto dos Outros, título original “ Le Goûte des Autres” foi um filme francês que gostei de ver, sobretudo porque marca a diferença de personalidades associada a ideia de gosto (ou a sua falta…).
O trama é simples e talvez por isso interessante. Trata-se de um industrial bem sucedido – Castela - com muito dinheiro mas com falta de gosto! É o típico rústico, sem qualquer educação intelectual, que odeia o gerente da sua fábrica, um parisiense interessante. Nutre um quase ódio pela mulher e a sua diversão é comer embora não o possa fazer por causa da pressão alta! Um dia conhece alguém – Claire – que o faz mudar a vida chata que levava. Claire vai ao seu escritório dar aulas de inglês, mas Castela, sem interesse, dispensa a professora até que uma noite Claire revela-se uma actriz de teatro talentosa pela qual Castela logo se interessa…
O industrial é apresentado como alguém grosseiro e de gostos básicos que acaba por se apaixonar por Claire, mulher pertencente aos meios tidos como intelectuais.
Castela vai mudando e procurando agradar a Claire. É que ele possui afinal uma sensibilidade que apenas necessitava de estímulo enquanto, ironia das coisas, o que anteriormente era repudiado como essência de mau gosto de Castela vai fazer com que Claire se liberte das amarras do preconceito que a inibiam.
A conclusão que se pode tirar é que o “bom ou mau gosto” não é definido por uma regra que se aplique e pronto! A formação e o conhecimento ajudam mas não é tudo. O preconceito, a meu ver, é uma forma discriminatória de apreciar a arte.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Arte é arte
Arte é arteQuase todos os anos pelo verão costumo ir a feira do livro em Lisboa. Percorro de alto a baixo e de baixo a cima o Parque Eduardo VII. Não me alargo muito na compra de livros porque pesa um pouco no orçamento… Por outro lado, confesso, tenho algumas dificuldades em escolher os livros. Sinto-me um pouco como na situação daqueles almoços ou jantares de self-service onde não sei como começar nem acabar…
Em Julho de 2007, numa dessas visitas pela feira, comprei um livro sobre a História da Arte, publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian – de excelente qualidade - da autoria do norte-americano H.W. Janson ao preço de capa, por 14.00€, nada mais barato! Tinha começado a ler alguma coisa sobre arte e expressão artística, e quanto mais lia mais dava conta da minha ignorância…
Em Julho de 2002, estive em Paris com a minha mulher – uma semana – e calcorreamos a pé e de metro aquela encantadora cidade. Visitamos, sempre a correr, os museus d´Orsay, Auguste Rodin (arrebatador) e o Louvre - uma referência obrigatória. Claro que não foi possível apreciar em tão curto espaço de tempo a imensidão de todas as suas obras de arte. Impressionou-me porém o interesse dos franceses pela arte, cultura e educação. Miúdos, professores e os pais a conversar sobre pintura, escultura - sobre arte de um modo geral - com os alunos e filhos e o manifesto interesse e a atenção deles! – Claro que pensei no nosso sistema de instrução e de educação e senti uma certa tristeza…
Comecei a ler um livro sobre pintura de Chagall e estou a gostar… Mas apreciar, verdadeiramente, implica um conhecimento mais profundo. Saber identificar as correntes e escolas de pintura; se determinada pintura de um quadro é impressionista, cubista, expressionista, surrealista, abstracta… e interpretar e analisar o seu significado e épocas históricas leva tempo. E gostar? Será que o “ gosto de uma obra de arte” provem do conhecimento das pessoas sobre ela ou poderá ser também intuitivo? – O público não ajuizará, de acordo com a sua percepção e sensibilidade?
Já me serviu de muito – e continua a servir - o Livro sobre História de Arte, da Gulbenkian. Logo na sua introdução começa por questionar o que é a arte e dá o exemplo da Cabeça de Touro de Picasso. Aqui entra o conceito de arte como um objecto estético, para ser visto e apreciado pelo seu valor intrínseco, e em que a estética diz respeito ao belo. Agora, nem toda a arte é bela aos nossos olhos e não há propriamente uma regra que a defina. A imaginação, criatividade e originalidade são elementos essenciais em qualquer obra de arte.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Comunidade aldeã
A cultura e os filhos da terra.
Contavam-se pelos dedos de uma das mãos os olhomarinhenses da minha geração formados com grau académico superior. Estou a referir-me as pessoas com idades compreendidas entre os 60 e 70 anos, mais coisa menos coisa. A população de Olho Marinho sempre se dedicou à agricultura, ao campo e à fazenda: andar com a enxada na mão, a cavar, a estonar ou sachar; a plantar, semear ou a regar as batatas e as couves, era o seu dia-a-dia… Nunca havia tempo para nada, nem para estar doente! O meu pai costumava dizer - ironicamente - que o “desporto” dele era o trabalho. A minha avó Palmira trabalhou sempre até morrer e dizia que era preciso “ aproveitar o tempo,” como se ele fugisse… Com uma mentalidade destas, associada a pobreza como é que os seus filhos podiam estudar? – Fazer uma instrução primária, e aqueles que a faziam, já era muito bom! – Apesar disso, ainda houve meia dúzia de famílias que – uns com mais outros menos sacrifícios - puseram os seus filhos a estudar, ainda bem: porque ser trabalhador, pobre, honrado e iletrado é demais… Os homens tinham como divertimento as sobras das tardes de Domingo (trabalhavam no campo 6 ou 7 horas de manhã…) que eram passadas nas tabernas. Jogavam às cartas ou ao chinquilho, mastigavam à conversa uns tremoços e umas pevides, arrematavam pelo meio umas rodadas de tinto por conta dos perdedores… As mulheres casadas cuidavam dos filhos e das lides domésticas!
O Armando Silva Carvalho faz parte dessa geração que estudou e emigrou para a capital. Filho de agrário e pequeno comerciante, nascido em Olho Marinho no ano de 1938. Frequentou a Faculdade de Letras, licenciou-se em Direito e advogou algum tempo. Desenvolve a sua actividade como poeta, ficcionista, jornalista, professor, tradutor, crítico literário e publicitário.Consultando alguns sites na Net, ficamos a saber um pouco mais acerca da actividade literária do Armando. Naturalmente, só através da leitura das suas as obras se conhecerá melhor a sua dimensão cultural. Em qualquer caso, o vago conhecimento da sua existência no campo das letras deverá constituir um motivo de orgulho para a população de Olho Marinho e até
do concelho de Óbidos. Aqui fica a referência e esta pequena nota retirada de um site:
Armando Silva Carvalho nasceu na freguesia de Olho Marinho, Óbidos, em 1938. (…). Traduziu autores como Margueritte Duras e Samuel Beckett, Rainer Maria Rilke e Boris Pasternak.Revelou-se como poeta em 1965, com o livro Lírica Consumível, que obteve o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores. Publicou posteriormente O Comércio dos Nervos (1968), Antologia Poética (1976), Armas Brancas (1977), Técnicas do Engate (1979), Alexandre Bissecto (1983) e Canis Dei, em 1995, sendo premiado "ex-aequo” com o Prémio PEN Clube. Em prosa, Armando Silva Carvalho escreveu, entre outros, A Vingança de Maria Noronha, em 1989, sendo agraciado com a Menção Honrosa do Prémio Cidade de Lisboa e, em 2000, O Homem que Sabia a Mar. Com obra publicada em vários países, como Alemanha, Espanha, Itália e Suécia, Armando Silva Carvalho estreou-se na Assírio & Alvim com o livro O Menino ao Colo. Momentos, Falas, Lugares do Sublime Santo António
Contavam-se pelos dedos de uma das mãos os olhomarinhenses da minha geração formados com grau académico superior. Estou a referir-me as pessoas com idades compreendidas entre os 60 e 70 anos, mais coisa menos coisa. A população de Olho Marinho sempre se dedicou à agricultura, ao campo e à fazenda: andar com a enxada na mão, a cavar, a estonar ou sachar; a plantar, semear ou a regar as batatas e as couves, era o seu dia-a-dia… Nunca havia tempo para nada, nem para estar doente! O meu pai costumava dizer - ironicamente - que o “desporto” dele era o trabalho. A minha avó Palmira trabalhou sempre até morrer e dizia que era preciso “ aproveitar o tempo,” como se ele fugisse… Com uma mentalidade destas, associada a pobreza como é que os seus filhos podiam estudar? – Fazer uma instrução primária, e aqueles que a faziam, já era muito bom! – Apesar disso, ainda houve meia dúzia de famílias que – uns com mais outros menos sacrifícios - puseram os seus filhos a estudar, ainda bem: porque ser trabalhador, pobre, honrado e iletrado é demais… Os homens tinham como divertimento as sobras das tardes de Domingo (trabalhavam no campo 6 ou 7 horas de manhã…) que eram passadas nas tabernas. Jogavam às cartas ou ao chinquilho, mastigavam à conversa uns tremoços e umas pevides, arrematavam pelo meio umas rodadas de tinto por conta dos perdedores… As mulheres casadas cuidavam dos filhos e das lides domésticas!
O Armando Silva Carvalho faz parte dessa geração que estudou e emigrou para a capital. Filho de agrário e pequeno comerciante, nascido em Olho Marinho no ano de 1938. Frequentou a Faculdade de Letras, licenciou-se em Direito e advogou algum tempo. Desenvolve a sua actividade como poeta, ficcionista, jornalista, professor, tradutor, crítico literário e publicitário.Consultando alguns sites na Net, ficamos a saber um pouco mais acerca da actividade literária do Armando. Naturalmente, só através da leitura das suas as obras se conhecerá melhor a sua dimensão cultural. Em qualquer caso, o vago conhecimento da sua existência no campo das letras deverá constituir um motivo de orgulho para a população de Olho Marinho e até
do concelho de Óbidos. Aqui fica a referência e esta pequena nota retirada de um site:Armando Silva Carvalho nasceu na freguesia de Olho Marinho, Óbidos, em 1938. (…). Traduziu autores como Margueritte Duras e Samuel Beckett, Rainer Maria Rilke e Boris Pasternak.Revelou-se como poeta em 1965, com o livro Lírica Consumível, que obteve o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores. Publicou posteriormente O Comércio dos Nervos (1968), Antologia Poética (1976), Armas Brancas (1977), Técnicas do Engate (1979), Alexandre Bissecto (1983) e Canis Dei, em 1995, sendo premiado "ex-aequo” com o Prémio PEN Clube. Em prosa, Armando Silva Carvalho escreveu, entre outros, A Vingança de Maria Noronha, em 1989, sendo agraciado com a Menção Honrosa do Prémio Cidade de Lisboa e, em 2000, O Homem que Sabia a Mar. Com obra publicada em vários países, como Alemanha, Espanha, Itália e Suécia, Armando Silva Carvalho estreou-se na Assírio & Alvim com o livro O Menino ao Colo. Momentos, Falas, Lugares do Sublime Santo António
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Comunidade aldeã
Ciclo de vida
O ciclo de vida daquelas gerações era em média mais curta que o actual. Geralmente, quando as crianças ainda andavam na escola primária, entre os sete e os onze ou doze anos de idade, acontecia morrer um dos avós, quase sempre o avô.
Sucedia, frequentemente, serem os netos a fazer companhia durante a noite a casa das avós, agora viúvas, nos primeiros tempos do luto. Naquela época, os filhos tomavam conta dos pais quando estes iam para a idade (velhice) e as suas capacidades não ofereciam condições de se regerem sozinhos. Os homens, mais dependentes do que as mulheres, eram quem mais beneficiava. Em regra, havendo mais do que um filho, os pais passavam uma temporada em casa de cada um deles, em média um mês.
A morte dos avós traziam sempre alguma dor e era costume os netos andarem com uma fita preta num dos braços, em sinal de luto, durante três meses. Nesse período, os enlutados não deviam ir às festas segundo rezava a tradição. Porém, havia avós que pediam aos netos que quando eles partirem ou chegar a sua hora se divirtam na mesma, gozem a vida: não deixem de ir a festas e a bailes.
Claro que a noção que o sofrimento era mais forte quanto mais próxima era a relação de parentesco com o finado: dos filhos em relação aos pais e a seguir dos netos em relação aos avós. O luto também era por mais tempo.
Às vezes, por doença ou caprichos da vida, o ciclo é interrompido por morte de pessoas bem mais novas.
O ciclo de vida daquelas gerações era em média mais curta que o actual. Geralmente, quando as crianças ainda andavam na escola primária, entre os sete e os onze ou doze anos de idade, acontecia morrer um dos avós, quase sempre o avô.
Sucedia, frequentemente, serem os netos a fazer companhia durante a noite a casa das avós, agora viúvas, nos primeiros tempos do luto. Naquela época, os filhos tomavam conta dos pais quando estes iam para a idade (velhice) e as suas capacidades não ofereciam condições de se regerem sozinhos. Os homens, mais dependentes do que as mulheres, eram quem mais beneficiava. Em regra, havendo mais do que um filho, os pais passavam uma temporada em casa de cada um deles, em média um mês.
A morte dos avós traziam sempre alguma dor e era costume os netos andarem com uma fita preta num dos braços, em sinal de luto, durante três meses. Nesse período, os enlutados não deviam ir às festas segundo rezava a tradição. Porém, havia avós que pediam aos netos que quando eles partirem ou chegar a sua hora se divirtam na mesma, gozem a vida: não deixem de ir a festas e a bailes.
Claro que a noção que o sofrimento era mais forte quanto mais próxima era a relação de parentesco com o finado: dos filhos em relação aos pais e a seguir dos netos em relação aos avós. O luto também era por mais tempo.
Às vezes, por doença ou caprichos da vida, o ciclo é interrompido por morte de pessoas bem mais novas.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Comunidade aldeã
Professor Carreira
O Professor Carreira e a sua esposa eram professores primários que tinham residência fixa em Olho Marinho. Ele ensinava na Escola nova os alunos da 4ª classe; a esposa, Sr.ª D. Piedade, ensinava a 1.ª classe na escola velha. As 2ªs e 3ªs classes, eram ensinadas por outros professores que não residiam na terra ou então ficavam alojados temporariamente em casa de alguém.
O Professor Carreira ainda não devia ter trinta anos. Era pois muito mais novo que o padre e o médico. De estatura média-alta, atlética até, era uma pessoa disciplinada que gostava muito de desporto, sobretudo de futebol. Promoveu a criação de um Campo de Futebol em Olho Marinho, no sítio da Feira. Tratou de arranjar camisolas (às riscas verticais, amarelas e pretas), calções, meias e sapatos, boné e luvas para os guarda-redes para os futuros jogadores, bem como o local para se equiparem e guardarem o equipamento. O Professor Carreira era simultaneamente dirigente, treinador, e até jogador e jogava bem!
Os jovens jogadores eram treinados durante os dias da semana, incluindo aos sábados que na época era também um dia útil igual aos outros. Todos trabalhavam no campo a excepção do guarda-redes que era padeiro, daí o cognome de Manuel Padeiro. À tardinha, lá vinha eles dos campos, à pressa, ainda com a enxada às costas. Era só o tempo de passar por água, mudar de roupa e ir a correr para o campo. O treinador era rigoroso e não aceitava atrasos e o pessoal tinha-lhes mais respeito que aos próprios pais! – A verdade é que o Olho Marinho teve uma boa equipa de futebol. Jogava em casa e fora, ganhava e perdia como as outras, e tinha um público entusiasmado que assistia aos jogos. Tudo isto foi obra de um trabalho notável de um homem: O professor Carreira.
Estas três personagens, para além de promoverem educação, cultura e assistência (médica e religiosa) transmitiram, pelo exemplo, valores e princípios humanos incalculáveis para as gerações que se seguiram, mesmo sem o saber!
O Professor Carreira e a sua esposa eram professores primários que tinham residência fixa em Olho Marinho. Ele ensinava na Escola nova os alunos da 4ª classe; a esposa, Sr.ª D. Piedade, ensinava a 1.ª classe na escola velha. As 2ªs e 3ªs classes, eram ensinadas por outros professores que não residiam na terra ou então ficavam alojados temporariamente em casa de alguém.
O Professor Carreira ainda não devia ter trinta anos. Era pois muito mais novo que o padre e o médico. De estatura média-alta, atlética até, era uma pessoa disciplinada que gostava muito de desporto, sobretudo de futebol. Promoveu a criação de um Campo de Futebol em Olho Marinho, no sítio da Feira. Tratou de arranjar camisolas (às riscas verticais, amarelas e pretas), calções, meias e sapatos, boné e luvas para os guarda-redes para os futuros jogadores, bem como o local para se equiparem e guardarem o equipamento. O Professor Carreira era simultaneamente dirigente, treinador, e até jogador e jogava bem!
Os jovens jogadores eram treinados durante os dias da semana, incluindo aos sábados que na época era também um dia útil igual aos outros. Todos trabalhavam no campo a excepção do guarda-redes que era padeiro, daí o cognome de Manuel Padeiro. À tardinha, lá vinha eles dos campos, à pressa, ainda com a enxada às costas. Era só o tempo de passar por água, mudar de roupa e ir a correr para o campo. O treinador era rigoroso e não aceitava atrasos e o pessoal tinha-lhes mais respeito que aos próprios pais! – A verdade é que o Olho Marinho teve uma boa equipa de futebol. Jogava em casa e fora, ganhava e perdia como as outras, e tinha um público entusiasmado que assistia aos jogos. Tudo isto foi obra de um trabalho notável de um homem: O professor Carreira.
Estas três personagens, para além de promoverem educação, cultura e assistência (médica e religiosa) transmitiram, pelo exemplo, valores e princípios humanos incalculáveis para as gerações que se seguiram, mesmo sem o saber!
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