sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Aonde estava Deus?

Há fenómenos na natureza que os homens e a ciência ainda não controlam nem conseguem prever: os sismos, as erupções vulcânicas, os maremotos e os “tsunamis.” Também, parece que há zonas no nosso planeta mais permeáveis as estas ocorrências que outras. Este ano que há pouco começou está a ser uma tragédia para os haitianos. Parece que toda a pobreza e desgraça nunca vêm só! Para além da crise político-militar, económica e social, havia também de serem bombardeados pelo sismo que destruiu as suas casas, fez milhares de mortos e de pessoas subterradas vivas… Carecem urgentemente de ajuda internacional, material e da solidariedade humana. Um pequeno País em que o sofrimento de um povo vem desde os tempos das escravatura é demais. O apelo dramático de uma cidadã a pedir ajuda, que passou na televisão, dá que pensar: Aonde estava Deus que não reparou!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Natal

Vem aí o Natal, que vai e vem
todos os anos, o Natal…
Partem alguns (Deus os tenha em descanso…)
outros vêm.

É Natal – é o dia de Jesus!
Jesus que foi também criança,
e menino,
e Se tornou Homem - e neste pedido não me engano.
Jesus, não Te esqueças das crianças,
que nascem e sofrem
em toda a parte,
em cada dia do ano!

Vem aí o Natal, que vai e vem
Todos os anos, o Natal…
Diz uma estrela de Belém
Que nesta Festa da Natividade
a fé é esperança mas também Humanidade.

Vem aí o Natal, que vai e vem
todos os anos, o Natal…

Desejo a todos os meus amigos e visitantes deste blogo

Um Feliz Natal
e
Boas-Festas

Álvaro Dionísio

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A política e a justiça

Cada vez mais a minha descrença na justiça é maior e pelos vistos há muitos mais a pensar como eu, o que é grave.
Começamos pelos profissionais da política, qual nobreza abastardada e snobista que, sob a capa de republicanos e democratas disfarçados, enganam o "pagode" e avacalham a nossa sociedade. Uns quantos governam e governam-se à conta do voto da plebe - atrás do subsidiozinho e da igualdade de oportunidades (...) - e do povo e dos pseudo-letrados em universidades do pronto-a-formar em qualquer coisa , a espera de promessas cheias de nada: Engana que eu gosto! E o político profissional, sabe disso... O desemprego aumenta, a dívida pública também, mas isso é culpa da crise internacional. Os crimes aumentam, a segurança das pessoas diminuem, mas isso é mentira porque os dados homólogos do ano da carqueja, do mês do troco-passo e do relatório internacional, afirmam que Portugal é dos países mais seguros da Europa, da América e até do Mundo. Infelizmente, tenho que "botar" um pouco de humor nesta tristeza toda porque não suporto tanta mentira junta.
Como se isto fosse pouco, envolve-se ou tenta-se envolver a Justiça, os Tribunais e os magistrados nesta teia tenebrosa de "jagunços" infiltrados na política, na economia e nas finanças. O mobil é a justiça que investiga a avalia mal, e até demora uns anitos a julgar... mas isso deve-se à complexidade dos processos... ; as leis do código e do processo penais (sobretudo estas) é que devem ser de novo ajustadas às realidades recentes! La nobless oblige... Certos senhores, não podem ser objecto de escutas (indiciem elas ou não matéria criminal), porque, e esta é a verdade: se julgam acima das leis e eles são o Estado de Direito. Eis a razão por que, tão despudoradamente, atacam osTribunais sempre que estão envolvidos ou as decisões desse órgão de soberania lhes desagrada. Só desta forma se entende algumas declarações patéticas, para não dizer também senis, de parte de certos advogados. Dir-se-á que é o papel deles na defesa inocente dos constituintes. Só que isso não lhes confere o direito de "atacar publicamente" juizes e procuradores. No fundo, estes nem sequer se podem defender! A verdade, para os homens sem palavra, não vale nada. Espero que a justiça se mantenha firme e que a investigação sobre a descoberta da verdade material se sobreponha como princípio básico. Não foi Platão que disse ser amigo de Sócrates mas ainda mais amigo da verdade? É isso que todos nós devemos esperar da justiça. De uma justiça igual para todos, sem distinção de pobres ou ricos, nessa medida cega por não privilegiar ninguém.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Jazz de Olho Marinho, foto anos 39/40.

Identificação
A propósito do “post” “ Os santos da casa …”, foi publicada a fotografia aqui alusiva ao conjunto – Jazz de Olho Marinho – reportada aos anos 39/40 do século XX, que não ocasião não foi possível identificar, na totalidade, os componentes do conjunto. Pedi ao meu irmão Elias que, um a um, identificou o nome de todos os músicos e os inscreveu na foto. Mais, Informou-me que só um dos componentes do Jazz, António Machadinho (o 4º sentado, à contar da esquerda) está vivo!
Aqui fica para consulta dos directamente interessados, sobretudo familiares. Para a freguesia de Olho Marinho, uma oportunidade para inscrever na história da terra esta referência cultural com mais de meio século de existência, precisamente 70 anos.
Atenção! - Para ver a foto em ponto maior é só clicar com o botão do rato sobre a fotografia.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Os santos da casa…Armando Silva Carvalho

Andar de mota e ajudar à missa
Andar de mota e ajudar à missa também me aconteceu, por volta dos 11 anos, diga-se, contra-à-vontade. O senhor António, sacristão, ressentido com padre, abandonou essa missão e eu, com a anuência dos meus pais, fui empurrado – mal - para o substituir. Não tinha jeito nem vocação. Acompanhei uma vez o padre Renato num funeral e a única coisa que fiz foi levar a caldeirinha com a água benta… Constrangeu-me de tal maneira ver os sapatos rotos do defunto que não aguentei mais olhar para ele, metia-me impressão, até hoje. Nas missas de Domingo ou em dias de festivos (casamentos e baptizados) tocava os sinos e durante a cerimónia, de acordo com a liturgia, mudava o missal de um lado para o outro do altar. O Armando, pelo que conta, parecia gostar de ajudar à missa, embora não quisesse ser padre, dando a entender que por razões económicas: A decisão (…) de frequentar o colégio das Caldas, levou o seu tempo e os seus cálculos. Para Padre, sabia que nunca iria. Toda a gente da aldeia via que o padre nem dinheiro amealhavam para umas meias solas nos sapatos. Quando ele se ajoelhava para erguer a hóstia, deixava que as mulheres avaliassem a sua miséria a começar pelos pés… (ibidem). Também o Artur Correeiro, ainda primo da minha mãe, que estudara no seminário (graças a pia intervenção da Sr.ª D. Eugénia, esposa de D. José Siqueira - da Quinta de Baixo) ajudava à missa quando vinha de férias ao Olho Marinho, em certas ocasiões. Também a vocação Artur, apesar da sua humanidade, não foi suficiente forte para o exercício do sacerdócio. Duas décadas antes (anos de 1930), também o meu tio Álvaro estudou durante seis anos num Seminário e quando vinha férias à Terra as suas preocupações pareciam ser outras. Gostava muito dos bailaricos e até tinha uma bicicleta que usava nas suas deslocações às aldeias vizinhas e nas suas incursões nocturnas. É natural que tenha ajudado uma ou outra vez à missa mas não me lembro da família referir esse facto. Bem pelo contrário, o que se dizia – as vizinhas sobretudo – é que ele não tinha vocação para padre: Ah, Palmira, o teu filho olha muito para as pernas das raparigas… A minha avó, afinava!
Havia porém, já naquele tempo (anos 30 e 40 do século XX), outras actividades como o teatro em que, segundo testemunho oral, o meu tio Álvaro participava com notável desempenho. Não estou a par das actividades culturais da terra mas pelo pouco que me foi dado observar, há um certo abandono e é pena. Contar-se-á, provavelmente pelos dedos de uma das mãos, aqueles que conhecem o percurso literário do Armando Silva Carvalho ou que tenham lido alguma obra sua. Foi por isso, à laia de reflexão, que me atrevi a escrever no blogue que os santos da casa não fazem milagres…


Álvaro (tio)

sábado, 10 de outubro de 2009

Afinidades e curiosidades
Desde miúdo, que me lembro da minha avó Palmira chamar de prima a mãe do Armando Silva Carvalho, que tinha mais uma irmã e um irmão. Ao ler O Livro do Meio, a genealogia do autor reavivou-me a curiosidade. Assim, do lado materno do Armando (paterno meu) existe uma descendência remota: A minha avó Palmira e a mãe do Armando eram primas direitas (e mais dois irmãos) porque a mãe de ambas eram irmãs.
Segundo rabisquei de umas notas antigas do meu tio Álvaro, que foi amanuense no registo civil de Óbidos, a mãe da minha avó chamava-se Lúcia de Jesus.
Avó ( Palmira de Jesus-1888-1968)
Mas há outras curiosidades… O Armando Carvalho recorda alguns episódios passados com o padre Renato que já não me lembrava ou desconhecia. Parece que o nosso Prior tinha uma raiva danada aos cães que lhe ladravam… Sabia que ele tinha a pancada de andar à noitinha pelas ruelas de ouvido cosido às casas, a escutar as conversas e saber se os paroquianos falavam mal dele. Não sabia que o padre tinha medo do barulho como conta o Armando: Ele tinha medo de tudo que fosse barulho. Uma tarde em plena festa de Agosto, hora da procissão, hora solene, o Padre Renato dera o fora e ninguém sabia para onde. Os foguetes rebentavam no ar, as crianças sujavam as fatiotas, os festeiros suavam encasacados, os anjinhos mijavam no cetim barato das suas vestes (…), só faltava o padre. Prossegue: Fui eu e o meu pai, com denúncia privada da Carlota, quem soube onde ele se escondia (…) trazê-lo muito a custo (op. cit p.165).

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Os santos da casa…Armando Silva Carvalho


Olho Marinho - Impressão
Ao ler O Livro do Meio, revisitei a aldeia onde nasci, o Olho Marinho e a qual deixei aos 13 anos para vir para Lisboa, também para tratar da vida. Ocorreram entretanto meio século e não obstante o desenvolvimento natural e trazido, em parte, com o 25 de Abril de 1974 (Equipamento social – ATL, Jardim de Infância, Centro Social Cultural/IPSS, Centro de Saúde e a Caixa de Crédito Agrícola ligada a actividade primária) culturalmente, o Olho Marinho continua pobre e isso dá que pensar… Julgo que o Olho Marinho, ficou órfão com a morte de Salazar, a saída ou o desaparecimento de figuras marcantes e tutelares como os professores primários (Roque, Albino ou Carreira), o médico Dr. Campos e o Padre Renato, sem esquecer a União Amigos de Olho Marinho e o seu esforçado trabalho e obras realizadas a partir da Capital (Lisboa).
Apesar da distância em relação ao passado – um pouco mais de quatro décadas – e do desenvolvimento tecnológico, da comunicação e multimédia on line, da globalização da economia, do político e do social actuais, estamos hoje mais pobres, do ponto de vista de identidade cultural e dos valores, do que antes.
Voltando à freguesia do Olho Marinha, constatamos isso mesmo. Depois que o padre Renato de lá saiu, grande parte das actividades culturais e de entretenimento deixaram de existir, por exemplo: jogos de voleibol para os jovens, as caminhadas, jogos de salão e de mesa; a música e o canto, as danças ou bailes; o teatro e as pinturas. Como descreve Armando Carvalho no Livro do Meio: O padre Renato tinha editado na Sasseti várias composições que eu não sabia nem seria capaz de apreciar. Na sua residência, onde dominava uma velha Carlota de bigode, havia um piano apoquentado pelo húmido e pelo desacerto. Mais adiante, acrescenta: O padre Renato, que Deus tem certamente encostado à porta das oratórias mais arrebatadas, ensinava-me solfejo, pintura a óleo em tela natural e alguns conselhos práticos para evitar o pecado.
Também em relação ao seu professor, que no tempo da escola primária era o professor Albino, Armando escreve: O meu verdadeiro professor era filho de um padre que deixou de o ser, e nasceu em Óbidos. O professor Albino (…), devotado católico, deu-nos a todos uma esmerada educação religiosa, além de uma boa instrução primária.
Sobreviveu o Rancho de Olho Marinho, graças ao Mário, o Corneta!
No Início da década de 1940, ou um pouco mais, existia um conjunto – o jazz – de Olho Marinho. Dele faziam parte o meu pai, o meu tio Álvaro, o Arsénio Cozinheiro, o Machadinho e outros mais que não consigo ligar seus nomes. Creio que esse conjunto nasceu devido à carolice, paixão e dedicação de um maestro que nem sequer era natural da terra… Infelizmente, não ouve seguidores…
Refere o Armando Carvalho, no seu livro, que em casa dos Lavaduras não havia biblioteca… E eu interrogue-me se em todo o Olho Marinho havia uma biblioteca naquele tempo. Vou mais longe: existe hoje alguma biblioteca ou museu? – Creio que a resposta é negativa mas a crítica construtiva. Porque não começar a construir uma biblioteca nos espaços existentes no edifico da sede União Amigos de Olho Marinho ou outro onde esteja ou venha a estar instalado o equipamento de Internet? Há jovens que poderão estar interessados em participar activamente na história da sua terra!
As gerações que frequentaram a escola primária a seguir a II Guerra Mundial tinham grandes dificuldades económicas e eram pobres em quase tudo… Eram muitos os miúdos da aldeia que andavam descalços e passavam mal. Concluir a instrução primária era já um avanço… Em Olho Marinho, o exame da 4ª classe era feito em Óbidos, como precisa Armando Carvalho: Quando fiz o exame final da escola primária fui fazê-lo a Óbidos, numa escola baixinha, que havia no largo lá em cima, perto da porta da Cerca.