sábado, 31 de janeiro de 2009

Comunidade aldeã

O Dr. Campos – Médico

O Dr. Campos residia na freguesia de Amoreira – numa moradia ajardinada - onde estava instalado o Consultório da Amoreira. Além disso, vinha também fazer consultas Olho Marinho, num consultório localizado num 1º andar da Casa Regedor da Freguesia, senhor José Dias. O acesso fazia-se por uma porta independente, subia-se umas escadinhas até ao hall - espécie de varandim quadrangular - e só depois é que se entrava no consultório.
A moradia do Regedor, que integrava uma adega colada à fachada principal, prolongava-se depois por um muro descendente até quase ao largo da fonte, fazia a curva e voltava a subir do outro lado, por uma vereda, até pegar novamente residência do Regedor. A sua frente ficava um pátio, baptizado por Largo do Zé Dias. Este Largo confinava com a parte lateral da “escola velha” e a residência do Padre Renato.
O Dr. Campos era também uma pessoa alta, bem constituída e usava óculos. Tinha sempre muitos doentes para tratar e era muitas vezes chamado de noite. Deslocava-se entre as freguesias do concelho de Óbidos – Vau, Usseira, Gaeiras, Olho Marinho e até a Povoação do Pó – num Volkswagen que comprara com a herança que recebera dos pais, conforme confessara um dia mais tarde, quando esteve hospitalizado no Hospital de Santa Maria.
O Dr. Campos era também uma pessoa muito impulsiva e não tinha papas na língua. Os doentes que não se portavam bem, não seguissem as suas prescrições mínimas, tinham que se haver com ele… Naturalmente, naquela época, não se fazia lá muitas dietas e sobretudo bebia-se bastante álcool – vinho e bagaço. Atrás das bebedeiras, lá vinham as cirroses (barriga de água…), úlceras, os reumatismos, etc. Por conta disso, o Dr. Campos é que se esfalfava a fazer visitas ao domicílio, rua acima rua abaixo: ver os seus doentes crónicos. Era pois natural que alguns deles ouvissem algum responso menos agradável. Aliás, até o Padre Renato, por outras razões, ouviu da parte do médico um desabafo nada lisonjeiro. Conta-se que numa ocasião em que o médico vinha a sair do seu consultório e se dirigiu ao seu carro, ao ligar as chaves, este não pegou logo. Então o Padre que estava por perto, “mete-se com ele” e diz: então Dr. o seu carro não pega? O médico, como que a pensar alto, desabafa: Olha quem! Anda sempre com a merda do carro dele avariado e vem agora falar do meu… O Padre Renato fingiu que não ouviu e foi a vida dele!
O Dr. Campos fumava bastante e tinha uma asma crónica. Ainda assim, andava sempre num frenesim. A par do seu feitio, era uma pessoa de grande generosidade e de uma sensibilidade sem limites para com as pessoas de parcos recursos. Muitos doentes não tinham só dificuldades em pagar as suas consultas mas ainda em comprar os medicamentos que lhes eram prescritos. O Dr. Campos conhecia as suas dificuldades e por isso não cobrava dinheiro pela maioria das consultas que fazia. Além disso, ainda retirava medicamentos do Hospital da Misericórdia de Óbidos - onde também prestava assistência - para entregar aos pacientes mais necessitados. Como agradecimento, estes retribuíam em géneros: batatas, feijão hortaliças ou então fruta da época. O médico, em compensação, entregava-os no Hospital de Óbidos. Aqui, por sua iniciativa, muitos doentes seus foram observados conjuntamente com outros colegas médicos. Algumas vezes, chegava a mesmo a transportá-los no seu próprio carro… Mas, o caso mais marcante passou-se com uma doente da Povoação do Pó. Foi mandado chamar por volta da meia-noite, levantou-se da cama e lá foi ele... Diagnosticou a doente - uma senhora já de certa idade - prescreveu a terapeuta adequada e depois recebeu o valor da consulta que a paciente solicitamente fez questão de pagar. Regressou a casa, deitou-se, mas esposa apercebeu-se que o marido estava intranquilo. Este contou-lhe o que se passara, levantou-se novamente da cama e foi a casa da senhora entregar o dinheiro da consulta porque poderia precisar dele … Já de regresso, deitou-se de novo e adormeceu… dormindo tranquilamente e em paz o resto da noite.
Mais tarde, por volta de 1977, o Dr. Campos fora internado no Hospital de Santa Maria em Lisboa. Estava bem mais magro, com o corpo armadilhado de tubos e soro inalado a correr a conta-gotas do alto de uma garrafa... Sabia do mal que padecia e não valia a pena tentar iludi-lo. Era nos pulmões…
Contou que deixara de fazer consultas domiciliadas por não poder mais – a sua saúde não o permitia - e fora então exercer medicina para Hospital de Caldas da Rainha. Confidenciou à única pessoa de Olho Marinho que o fora visitar, que o seu vencimento era o de um cacheiro viajante: 1.500$00! Que os únicos bens materiais que possuía fora os que recebera dos seus pais por herança. Foi com eles que comprou o único carro que teve na vida: um Volkswagen carocha!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Comunidade aldeã

O Padre Renato

A parte reservada a habitação dos professores, na escola velha, passou a residência paroquial e foi nela que o Padre Renato morou.
Do ponto de vista físico, o Padre Renato era uma pessoa relativamente alta, forte e com uma calvície um tanto pronunciada, apesar dos quarenta e tantos anos que aparentava ter. Psicologicamente, era de uma impulsividade crónica e instável. Para as suas deslocações as paróquias vizinhas, chegou a comprar uma mota, depois um carro de dois cavalos que andavam grande parte do tempo avariados. Quando assim acontecia era frequente vê-lo aos pontapés a mota ou ao carro e a praguejar, em altos berros, impropérios ineficazes como: merda para isto, raios te partam…
O padre tinha ainda o péssimo hábito de andar de noite pelas ruelas a escutar as conversas das pessoas, para saber se e quem falava mal dele. Depois acabava por se denunciar ao usar o conhecimento das suas investigações secretas, na missa aos Domingos.
Segundo se dizia, trazia sempre consigo duas notas: uma de vinte escudos e outro de cinquenta, em cada um dos bolsos da sua batina, para ajudar alguns dos pobres. De acordo com as suas necessidades, assim tirava do bolso direito ou esquerdo a nota lhe parecia mais apropriada à situação. Os seus sapatos, diziam alguns observadores, andavam sempre com as solas rotas… Fumava dois ou três maços de cigarros por dia, sem filtro, da marca high life.
O Padre Renato era sem dúvida uma pessoa muito inteligente e culta. No Seminário dos Olivais, por onde passou, foi o melhor compositor e músico, conforme testemunho dos seus condiscípulos à época. Numa ocasião, entrou casa adentro de uma pessoa lá da terra, que estava a tocar bandolim, pegou na pauta e começo a trautear a melodia como se estivesse a tocar um instrumento musical… Na pintura deixou algumas aguarelas alusivas ao adro da Igreja; no teatro escreveu e ensaiou peças; criou jogos e animação…
A importância do Padre Renato no Olho Marinho começa com a construção de um Salão – hoje Posto Médico e Creche Infantil, cujo terreno foi doado para o efeito. Era o sítio do Rossio, delimitado por dois arruamentos. Um que vinha do lado das barrocas e o outro, a estrada principal, que passava frente ao Salão. Um longo ribeiro corria ao lado do Salão, atravessavando a estrada Principal, por debaixo de uma ponte, e confluía 150 metros à frente com um rio que nascia na Fonte (Olhos D´Água). O caudal de água era abundante e formava açudes que dava para irrigar todos os terrenos de amanho e ainda accionar um moinho a água. A obra do Salão foi comparticipada pelo povo, em género e em espécie com dias de trabalho. Inicialmente, construiu-se uma divisão ampla, com um palco ao topo, e mais tarde um anexo, com uma sala mais pequena, onde foi instalada uma televisão, única na terra, naquela altura. Nos terrenos à sua volta foi criado um campo de basquetebol. No interior do Salão havia mesas de ping-pong e outros jogos, criados e inventados pelo Padre Renato.
Durante as férias escolares - férias grandes - os jovens que estudavam em Lisboa e regressavam à terra não tinham muito em que se entreterem ou passar o tempo. Alguns ajudavam os seus parentes e familiares nas vindima e pouco mais! Só que o Padre Renato arranjava sempre meio de os ocupar com jogos e caminhadas a pé a descoberta de tesouros escondidos e coisas do género. Depois, o Salão estava sempre à disposição para quem quisesse lá ir, conversar, jogar pingue-pongue, ensaiar ou divertir-se. Havia os jogos de dominó, cartas, damas, etc. No entanto, o acesso ao Salão passava pela autorização do detentor das suas chaves: o fiel depositário, o senhor Silvano – sapateiro. A relação entre o Padre Renato e o senhor Silvano não deixava de ser curiosa na medida em que este até era ateu e comunista. Mas a verdade é que era uma pessoa disponível, com muita graça e humor de que toda a gente gostava. Tinha dois filhos a trabalhar consigo, educados, disciplinados e bem-dispostos, ligados ao desporto: futebol e ciclismo. A sua oficina estava integrada na casa de morada e dava para a Rua Prof. Roque Duarte, mesmo à curva e ao cimo da rua como quem vai a caminho da Povoação do Pó. Era costume a rapaziada, da idade dos filhos do senhor Silvano, aparecerem por lá, aos domingos de manhã para engraxarem os seus sapatos e conversarem um pouco! – Do lado direito da oficina e no seu interior, uma pequena portinhola dava acesso a uma minúscula taverna com cerca de quatro a cinco metros quadrados. À entrada, servida por um degrau, avistava-se duas mesas e respectivos bancos a verde (o Sr. Silvano era Sportinguista…); ao fundo, um balcão de tampo a mármore, salpicado a cores – talvez rosa, branco e preto -; mais atrás, existia prateleiras encostadas à parede e algumas garrafas de bebida arrumadas ao lado de outros consumíveis. Era um espaço reservado a bebidas e jogos de cartas e dominó, que dava também lugar aos cartões com furos para a miudagem se habilitar as cadernetas e aos cromos da bola … Este espaço, estava sempre impecavelmente limpo.
Assim, quando durante a semana alguém queria ir ao “Salão do Padre”, pedia as chaves ao senhor Silvano.
O Padre Renato continuava a dedicar-se a sua Obra. Os bailes passaram a realizar-se no Salão aos Domingos. Contratava-se um tocador de concertina e os pares lá dançavam entusiasticamente, embora não muito agarrados quando o senhor Prior estava por perto. Quando era só o senhor Silvano, não fazia mal. Às vezes até era ele quem alertava a presença próxima do padre...
É com este padre que se ensaiaram e se fizeram peças de teatro e se promoveu a música e o canto. Foi ele que conseguiu levar artistas de nomeada, como Camilo de Oliveira e colegas, a actuar em Olho Marinho.
A Rádio Televisão Portuguesa (R.T.P.) que iniciou as suas emissões regulares em 1957, foi instalada e vista pela primeira vez no Salão do Padre. Nesta data ainda não havia ninguém com televisões na freguesia. Era a única. Aliás, a rede de iluminação pública também só fora instalada dois anos antes. A verdade é que essa caixinha mágica, chamada Televisão, era mesma mágica para todas as crianças daquela altura. Quantas não se lembram de estarem sentados naquelas cadeiras perfiladas a assistir concentradas a abertura da televisão. Aquela música única de abertura da R.T.P., que jamais se esquecerá! A actuação dos palhaços; os desenhos de José Viana: “o queres ser quando fores grande”… Para os adultos – casais e filhos - o entusiasmo e a alegria que sentiam ver televisão era enorme.
O Café Concerto, que era um programa de televisão que passava às quintas-feiras à noite, ocupava todos lugares vagos da sala. Actuavam nessa época artistas importantes do teatro português, sobretudo de revista, como era o caso do jovem Camilo de Oliveira ou Costinha, Elvira Velez e tantos outros já consagrados. Foram também vistos alguns filmes portugueses, como Fátima Terra de Fé ou as Pupilas do Senhor Reitor… Tudo isto se ficou a dever ao Padre Renato.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Comunidade Aldeã

A comunidade aldeã

A aldeia era de facto uma comunidade vivida e partilhada por todos. Nela, a relação de vizinhança era autêntica e por isso sentida. Prendiam-na ainda os laços familiares entre parentes, tios e primos, mais ou menos próximos. Os casamentos, na sua maioria, faziam-se no seio da própria comunidade. Não admira pois que o conhecimento das famílias tenham vindo muito lá detrás… Nem é de admirar que a apreciação que se fazia das “ qualidades de qualquer jovem” passasse primeiro pela identificação da sua família: o ser-se filho ou filha de fulano ou beltrano, e até neto ou neta de sicrano era muito importante… A Igreja e a paróquia, mais o padre ou senhor prior; a Escola Primária e os alunos mais o professor ou a professora; o médico e os doentes (crianças, mulheres, homens); e o regedor, a autoridade administrativa da terra. Cada uma daquelas personagens tinha um papel fundamental na estrutura social da aldeia ou freguesia. Os valores, princípios morais e religiosos eram aprendidos desde o berço. O respeito pelas pessoas era comummente aceite e inquestionável. A “palavra dada”, um código de honra. Por isso, era costume dizer-se que valia mais uma palavra do que mil escrituras!

O padre o médico e o professor

Nas décadas de cinquenta e sessenta, três grandes figuras se dedicaram a população de Olho Marinho, contribuindo social, cultural e assistencialmente para o seu desenvolvimento e bem-estar: O Padre Renato, o Dr. Campos (médico) e o Professor Carreira.
A freguesia de Olho Marinho devia ter cerca de duzentos fogos e oitocentos habitantes. Era uma população maioritariamente pobre que vivia essencialmente da agricultura. Algumas pessoas procuraram o seu meio de vida na capital, em Lisboa, empregando-se no comércio e serviços; outros chegaram a estabelecer-se como industriais de táxi. Também nos anos sessenta houve algumas famílias que emigraram para o estrangeiro: França, Alemanha, Suíça e Canadá… Em 1964 treze jovens emigraram para a França.
Para além da actividade agrícola - e quase sempre em concorrência com ela - havia no sector do comércio-indústria, se assim se pode chamar, duas ou três padarias, dois talhos, meia dúzia de lojas e tabernas; uma destilaria de aguardente; três oficinas de sapateiros, cada uma com o seu mestre de ofício, oficiais e aprendizes da arte. Naquela época os sapatos eram feitos por medida, sobretudo botas em couro, cardadas nas solas para durarem mais tempo. Faziam-se frequentemente muitos arranjos de sapatos: colocavam-se capas e meias-solas, pregava-se biqueiras e protectores. Existia um correeiro, um grande profissional do ofício, que fazia e consertava alfaias agrícolas, arreios e outros equipamentos afins. Havia uma Forja de ferreiros (pai e filhos - mestres e oficiais) onde eram feitos portões em metal, gradeamentos e outros trabalhos em ferro. Por fim, um serviço de aluguer de táxi, um Posto de Correio e uma cabine telefónica no seu interior. A correspondência ia-se levar e buscar ao Posto, assistindo-se também à sua leitura, por volta do meio-dia. E havia ainda uma farmácia.
A grande parte da produção agrícola da terra era comercializado no mercado de Lisboa - uma ou duas vezes por semana. O seu transporte era feito num camião conduzido por um profissional que se dedicava à actividade mais um seu ajudante. O carregamento fazia-se de madrugada e seguia para Lisboa par ser vendido nos mercados, logo de manhã cedo.
As crianças, mal saíam da escola, iam trabalhar para os campos, ajudar os pais na lavoura. Montados nos burros ou em cima das carroças, meios de transporte usados para levar as ferramentas (enxadas, pás, sacholas, foices…) e os produtos para o amanho das terras: adubos e estrume de currais dos animais ou as sementes e plantinhas para lançar na terra; ou noutra fase os canecos com água e os preparados (sulfato de cal, seiscentos forte e outros remédios apropriados… mais o pulverizador), para prevenir ou combater o mal das searas e plantas. Conforme as épocas do ano, assim se transportava das fazendas para casa o produto criado: os feijões e as batatas, o milho e o trigo, as favas e os repolhos ou as uvas vindimadas que eram descarregadas nas adegas para serem pisadas e mais tarde transformadas no precioso líquido. O papel das crianças, inicialmente, era conduzir os burros de casa para a fazenda e da fazenda para casa. Alternadamente, uma das viagens faziam-na a pé, quando os animais iam ou vinham carregados, e outra montados, quando seguiam sem carga.
Naquela época, contavam-se pelos dedos as crianças que iam estudar depois de terminarem o exame de 4ª classe. Aqui ou acolá, havia alguém que fazia o exame de admissão ao 1.º ciclo do Ensino Secundário (Liceu, Escola Comercial ou Industrial).
Descanso semanal e diversões quase não existiam. Apenas ao Domingo à tarde lá se encontravam os homens casados nas tabernas a jogar as cartas ou a malha, bebendo uns copos de tinto e mastigando uns tremoços e umas pevides. As mulheres, ficavam em casa a cuidar da lida, dos filhos, da roupa, da cozinha… As vezes, quando os maridos tardavam e as diligências dos filhos não resultava, lá iam elas, a custo, chamá-los à taverna. Este tipo de intervenção não era benquisto pelos homens!
Quanto a missão de um pároco numa aldeia, vila ou cidade, seria, em princípio, pregar o evangelho de Cristo a comunidade; celebrar missa, casamentos, baptizados e funerais e pouco mais. Talvez, através dos seus sermões, transmitir mensagens importantes aos cristãos. Até aqui, nada de mais... Mas o Padre Renato foi mais além!
A Igreja matriz de Olho Marinho tem um século e meio de existência e a sua construção deve-se a iniciativa e intervenção do Padre Silveira Malhão, um grande orador, poeta e escritor, que promoveu campanhas de fundos para a sua conclusão. A igreja foi inaugurada em Agosto de 1856, consagrada ao Imaculado Coração de Maria e veio substituir, embora em locais diferentes, a anterior Capela. Esta situava num ponto mais alto de uma pequena colina rochosa, acima do largo da fonte (Olhos de Água), umas dezenas de metros. A Ermida de Santa Iria, assim designada por ter como padroeira Santa Iria, era de dimensão reduzida segundo dados da junta de freguesia, e por isso tornava-se insuficiente para acolher todos os fiéis de uma população em crescimento. Do ponto de vista estético e arquitectónico era pobre. Na fachada exterior sobressaía uma pequena torre sineira, com um sino em bronze, datado de 1782, que passou para a actual Igreja Matriz.
No local da Ermida de Santa Iria foi construída uma escola primária onde parte da geração nascida até meados da década de setenta do século XX, fez o ensino primário. Uma parte do edifício da Escola servia de residência dos professores. No tempo de Meireles, esta escola era chamada a escola velha por oposição a uma Escola Nova, mais moderna, construída no tempo do Estado Novo. Nesta, existia um espaço ou recinto de recreio para as crianças, murado à sua volta e um portão principal. O edifício da escola tinha forma rectangular e situava-se mais ou menos ao centro do recinto. Uma escada a meio dava acesso as salas de aulas, através de um patamar ou hall de entrada com duas portas: A do lado direito a sala de aulas das raparigas e a do lado esquerdo sala dos rapazes. Em linha recta, e perpendicularmente ao edifício, um muro com cerca 25 metros de comprimento e 1 metro de altura separava os rapazes das raparigas. Ao fundo do muro ficavam as casas de banho, uma de cada lado.